Revista Brasileira de Avaliação
https://rbaval.org.br/article/doi/10.4322/rbaval.202600162026
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Artigo original

Metodologias participativas e interseccionais para avaliações decoloniais com equidade étnico-racial

Francilene da Silva Abreu

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Resumo

Este estudo problematiza os limites das práticas avaliativas tradicionais no Brasil, frequentemente orientadas por referenciais eurocêntricos que invisibilizam saberes de comunidades negras, quilombolas, indígenas e periféricas. Defende-se que metodologias participativas e interseccionais oferecem caminhos decoloniais para avaliações comprometidas com a equidade étnico-racial. Integram-se perspectivas críticas – racismo ambiental, interseccionalidade e epistemologias do Sul – às práticas avaliativas. O percurso empírico inclui análise documental de políticas públicas brasileiras, relatórios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, produções acadêmicas e documentos da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e do Ministério da Igualdade Racial. A abordagem metodológica é qualitativo-crítica, articulando revisão bibliográfica sistemática e análise interseccional. Os achados indicam que tais metodologias ampliam a legitimidade das avaliações, fortalecem a justiça social e reconhecem saberes plurais, promovendo transformação, inclusão e democratização do campo ao incorporar vozes historicamente marginalizadas. Fundamenta-se em Robert D. Bullard, Henri Acselrad, Abdias do Nascimento, Kimberlé Crenshaw, Sueli Carneiro, Achille Mbembe e Rosana de Freitas Boullosa et al, evidenciando que abordagens sensíveis a contextos sociais e raciais enfrentam desigualdades estruturais e fortalecem a diversidade epistêmica.

Palavras-chave

Metodologias participativas. Interseccionalidade. Avaliação decolonial. Equidade étnico-racial. Justiça ambiental.

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Submetido em:
26/01/2026

Aceito em:
13/03/2026

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