Revista Brasileira de Avaliação
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Artigo original

Romper o silêncio: Epistemologias negras na avaliação de políticas culturais

Breaking the silence: Black epistemologies in cultural policy evaluation

Flávia Ribeiro

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Resumo

Este artigo analisa políticas culturais voltadas às periferias urbanas de São Paulo, tomando como referência os programas Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) e Fomento à Cultura da Periferia. A partir das trajetórias de quatro coletivos culturais, selecionados pelos marcadores sociais da diferença de raça, gênero e nacionalidade, investiga como os processos avaliativos ampliam o acesso ao financiamento público e, simultaneamente, reproduzem desigualdades. A pesquisa fundamenta-se em entrevistas e análise de narrativas, articulando racismo estrutural, racismo institucional, resistência cultural, interseccionalidade, colonialidade do poder e amefricanidade. Os resultados indicam que critérios apresentados como universais e meritocráticos convertem desigualdades históricas em parâmetros de desempenho, reproduzindo assimetrias. Como contribuição ao campo da avaliação de políticas públicas, o artigo propõe a noção de epistemologia negra da avaliação, compreendendo os processos avaliativos como práticas políticas situadas, atravessadas por relações de poder e comprometidas com justiça social, reconhecimento e participação.

Palavras-chave

Avaliação de políticas públicas. Políticas culturais. Racismo institucional. Decolonialidade. Feminismo negro.

Abstract

This article analyzes cultural policies targeting urban peripheries in São Paulo, focusing on the Valorização de Iniciativas Culturais (VAI) and Fomento à Cultura da Periferia programs. Based on the trajectories of four cultural collectives selected through social markers of difference—race, gender, and nationality—it investigates how evaluation processes expand access to public funding while reproducing inequalities. The research is based on interviews and narrative analysis, drawing on structural and institutional racism, cultural resistance, intersectionality, coloniality of power, and Amefricanity. The findings show that supposedly universal and merit-based evaluation criteria reproduce historical inequalities. As a contribution to public policy evaluation, the article proposes the notion of a Black epistemology of evaluation, understanding evaluation as a situated political practice shaped by power relations and committed to social justice, recognition, and participation.

Keywords

Public policy evaluation. Cultural policies. Institutional racism. Decoloniality. Black feminism.

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Submetido em:
15/01/2026

Aceito em:
16/07/2026

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